Quem sou eu

Sou um cara que ama a vida e tudo que ela tem a oferecer. Praticante de esportes de aventura, apaixonado por todo tipo de esporte que trabalhe a mente e o corpo de forma una e eletrizante. Degustem á vontade!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Um dia de trabalho

São três horas da manhã, há dias que essa tortura começou. Felizmente em algumas horas ela irá acabar. Isso ocorre sempre que pego um novo serviço com o Alcides. A ansiedade me domina, e com seu sadismo vai me acabando até o último instante. Estou deitado no carpete no meio da sala observando o teto, a escuridão difusa, torna o forro branco em uma outra cor indefinível, que agrada os meus olhos. Minha mente imagina um cripta egípcia, um passo errado, uma armadilha ativada, os grandes blocos laterais vão se aproximando e o superior vai descendo lentamente, apreciando cada segundo do meu desespero de condenado. Desperto do devaneio e volto a minha odiosa realidade. Aqui, no mundo real, é bem pior, nesses dias de ansiedade aguda, eu desenvolvo a claustrofobia, esta aliada á minha ansiedade faz com que eu sinta as paredes de minha sala se fechando, vão crescendo pouco a pouco, uma taquicardia me domina, o suor escorre como uma cascata em minha testa. Depois voltam a posição inicial e com uma frieza cruel começam novamente a sessão de tortura. Uma sensação de alívio domina meu corpo, ao ver pela fresta da porta que o sol já está nascendo. Vou ao banheiro lavar o rosto, preciso agilizar por que não poderei ir com o meu carro, irei de ônibus. O meu banheiro tem vários espelhos, narcisista que sou, há vários outros espalhados por toda a casa. Observando meu rosto, meu corpo nu, analiso cada traço, cada curva, cada músculo, E me lembro dos bons momentos em que me torno amante fiel do querido supino. Faço caretas diante do espelho, direciono minha língua em várias direções. Isso me faz lembrar de uma conversa que eu tive com um amigo meu anos atrás, ele era um educador físico, e sempre dava alguma lição de boa saúde para os seus amigos. Comentou comigo que o sexo oral era bom não só pelo prazer que o homem ou a mulher poderiam ter, mas também pela quantidade de músculos que são trabalhados durante o ato, enrijecendo sua pele, evitando as rugas, fazendo-o parecer sempre jovial. Desde esse dia passei a praticar o ato em mulheres com muito mais freqüência. As pessoas que me visitam não sabem, mas muito dos meus espelhos possuem câmeras por trás delas, tenho uma enorme coleção de vídeos transando na cozinha, na sala, no quarto, e até no banheiro. Nossa, perdi noção do tempo, devo ter ficado me olhando no espelho por mais de meia hora, tomo um banho rápido, saio do banheiro e corro para meu quarto, molhando toda a sala. Pego meu terno e o visto, fico muito elegante nele, me cai muito bem. Apanho uma maletinha que estava guardada dentro do cofre, abro-a e analiso aquela arma, uma Mini Uzi negra, dois carregadores enormes, deviam caber mais de 30 balas em cada uma delas, essas balas de 9mm pontiagudas devem fazer muito estrago. Mesmo assim, ainda prefiro meu Colt Anaconda Magnum .44, cano longo, cromado, três janelas , um verdadeiro monstro, nunca me deixou na mão, mas o Alcides é o tipo inovador, e eu sigo o que ele manda, e mesmo meu Colt não daria conta do serviço que estava prestes a executar. Fecho a maleta, coloco meu Colt Sob o Paletó e saio. Não posso ir com o meu carro, precisarei roubar um, pegarei um ônibus até o Plano-Piloto e lá eu arrumo um. O ponto às sete horas aqui em Taguatinga está lotado, pouco provável que eu arrume alguma poltrona para me sentar. O ônibus que eu esperava chega, e parte da pequena multidão que se encontrava no ponto sobe junto comigo. As pessoas me olham estranho, não é comum um homem com os meus trajes pegando ônibus, no mínimo pensam que devem ter assaltado meu carro recentemente. Fico travado na roleta, não da mais para avançar, o ônibus ta abarrotado. Observo maravilhado algo que ocorre ao meu lado, uma criança, que não deve ter mais que dois anos, chora no colo da mãe quando esta afasta uma nota de dinheiro de perto dele, quando aproxima a nota ele se acalma. Fico imaginando o que ele fará quando crescer para conseguir o dinheiro que já cobiça ainda tão criança, com certeza irá usar métodos mais persuasivos do que apenas chorar.

Aos poucos o ônibus vai se esvaziando, arrumo uma poltrona vazia perto do fundo, bem atrás de mim um grupo de jovens com moletons e bonés com abas retas fazem algazarra e cantam Rap em voz alta, incomodam, mas ninguém reclama, medo talvez, mexer com a malandragem não traz lucro. Noto que eles cochicham e falam sobre mim, me irrito com isso, mas mantenho o controle, poderia fazer uma chacina ali se eu quisesse, mas não teria lucro algum com isso. Decido descer antes do meu ponto, para evitar maiores problemas. Pego um taxi para a Esplanada dos Ministérios, adoro aquele lugar, sinto imenso prazer em apreciar a arquitetura de Niemeyer, e imaginar J.K ali há mais de 50 anos dando vida a este lugar. Mas não posso me demorar, vou procurar por um carro que me apeteça por aqui mesmo. Em um estacionamento um casal discute calorosamente dentro de um Land Rover, me aproximo e aponto meu Colt. “Saiam do carro, não falem nada, e corram assim que saírem”. Eles obedecem, e sem maiores problemas tomo o volante e saio do estacionamento, sigo até o Eixo monumental, os alvos estão na asa sul, segundo o Alcides estarão os 5 em um posto de combustíveis na W3 Sul. Não demoro a chegar, o trânsito está fluindo bem hoje. Estaciono o carro e vou para a lanchonete da loja de conveniência, como Alcides me passou, os 5 estavam sentados na lanchonete e conversavam animadamente. Peço um suco de laranja á garçonete, me sento duas mesas de distância, coloco a maleta sobre a mesa, abro-a, sem eles perceberem, encaixo um carregador, destravo e me levanto, disparo contra o grupo, todos tentam fugir, mas caem logo em seguida, um deles consegue correr até a porta de saída, eu o atinjo nas costas. Vou a cada corpo e me certifico que estão mortos, a lanchonete, os funcionários do posto, todos sumiram ao ouvir os disparos. Vou embora em seguida, a polícia chegará em breve.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desabafo

Era noite, e chovia bastante. Eu iria passar pelo meu recanto, meu lar, aquele lugar aonde eu quero ser enterrado. Mas a escuridão aliada á forte chuva, não me permitiu apreciar um dos símbolos de tanta paixão e encanto por aquele lugar. As serras. Ali, à beira da rodovia, entrando um pouco a mata, haviam belas serras. Suas riquezas em flora , fauna e água despertavam a cobiça do mundo inteiro. O Bioma Cerrado é o detentor de todas essas riquezas naturais invejáveis, apreciáveis, iningualáveis. Adentrando mais a mata, subindo por essas serras, poderíamos chegar ao Rio de Ondas. Fonte de riqueza, sobrevivência e lazer para povoados ribeirinhos, para donos de clubes, para toda uma população que ainda precisa aprender a amar esse rio de verdade. O rio é orgulho para toda população barreirense, suas belezas são mencionadas de norte a sul do Brasil, por qualquer visitante que tenha tido o prazer de banhar em suas águas. Infelizmente sei que tal orgulho não vem inerente ao senso de responsabilidade social coletivo. O rio é morto aos poucos, sendo lentamente torturado, por dejetos fecais, por lixo, esgoto, irrigação predatória. Crueldade não só com o rio, mas para com nosso filhos também! E quando não houver mais água? Já pensaram nisso?
Pensar nisso me assusta muito, vamos falar de outra coisa. Seguindo pela rodovia e já entrando no perímetro urbano eu sinto aquele choque emocional da saudade sendo saciada vorazmente. Eu disse: “ Não posso passar direto, preciso pelo menos ver o Cais da minha cidade!”. Que tristeza, que descaso, o que era aquilo que eu via? Por acaso não há serviço de limpeza pública na cidade? E os moradores? Não sabem que aqueles cestos espalhados em cada canto para onde se olha, serve justamente para se jogar o que eles insistem em jogar ao chão? Nem precisa ser um grande cientista social para saber que eles sabem, mas não ligam para isso. É problema da prefeitura, é o que devem dizer...
Haaa, o Rio Grande! Grande afluente da margem esquerda do Velho Chico. Rio maravilhoso, Nasce em São desidério, lá em meio à Serra geral do Goiás, e vem com todo o seu esplendor, brilhar ao longo de metade da Bahia. Toda região Depende direta ou indiretamente desse belo rio. Também é a fonte de sustento ao povo de boa parte do semi-árido baiano. Como o Nilo no Egito, transforma a terra seca e morta, em Terra fértil, terra que se planta qualquer coisa e ainda assim vinga com toda a força. "Preciso sentir aquela brisa fresca, que coisa boa, levantava de madrugada para poder sentir tal prazer!". E isso agora? O nosso Rio Grande Virou um Tietê do Oeste Baiano? Que maldito cheiro de esgoto, quanto lixo em suas margens, e cadê toda aquela água que corria por aqui? Agora se parece com um grande riacho!
Já sentiram aquela vontade enorme de chorar por está perdendo algo ou alguém que você amava muito? Foi o que eu senti. Não tive coragem de ver o resto da cidade, com certeza eu iria sentir mais dor, e não tenho vocação para masoquista. Fui embora do que era o meu recanto, para bem longe, e por mais triste que seja eu pensar assim, não desejo mais voltar por lá. A cidade dos meus sonhos não existia mais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O ônibus do Além [trecho1/2]


Para assuntos formais era o Agnaldo Brito, para a família, Naldo, para os amigos, Naldinho. Esses últimos eram bem poucos, tinha somente dois amigos, se é que pode se chamar de amigo uma pessoa que só participa de sua vida em momentos nada agradáveis, passivamente e por vezes sofrendo junto. Os seus dois amigos nada mais eram que companheiros de Bullying, não como agressores, mas como vitimas. Tornaram-se amigos quando, após a agressão diária dos valentões, se juntavam para discutir pormenores da tortura física e mental, ora alegando que um apanhou mais que o outro, ora dizendo que tal palavrão dirigido à sua pessoa era novo, diferente, digno de ser anotado para averiguarem posteriormente o seu significado, não obstante, quando o dito palavrão fora proferido, o contexto desse a eles evidências o suficiente para deduzirem isso com larga facilidade. Em dias melhores chegavam a cogitar cinematográficas represálias, mas não passava disso, as batalhas épicas entre o reino do bem e do mal ficavam na imaginação.
Nesse dia Naldinho se privou do colóquio sobre o badalado assunto das agressões. Era um dia diferente, triste, seu tio falecera naquela madrugada, ao invés de ir á escola, iria para a casa do tio, que ficava do outro lado da cidade, pegaria duas conduções para chegar até lá. Pegou o primeiro e nem percebeu o tempo passar quando desceu na última parada, para esperar o próximo. Essa parada ficava a três quadras de seu colégio. Aguardava no ponto quando avistou dobrando a esquina seus três algozes, discretamente saiu caminhando, para tentar fugir de suas garras. Infelizmente o reconheceram, correram em sua direção e logo o alcançaram, a primeira coisa que fizeram ao segura-lo foi pegarem na parte de trás de sua calça e erguê-la até tirarem temporariamente seus pés do chão. Deram mais uns cascudos de boas vindas, uns puxões de cabelo e de orelha, esporadicamente acertavam um pontapé em seu traseiro. As ofensas vinham inerentes às pancadas. Naldinho se encolheu á um canto, perto de umas latas de lixo. Um dos agressores abriu o zíper e começou a urinar sobre sua cabeça enquanto os outros dois passavam mal de tanto rirem. Como já foi dito, esse era um dia diferente, além de triste, parecia também ser mágico, talvez não fosse nenhum nem outro para quem olhasse de fora, talvez fosse mesmo um dia normal, não se sabe, questão de pura perspectiva, mas para Naldinho era sim um dia diferente. O mijador não esperava, o mijado não esperava menos ainda, tudo ocorreu em frações de segundos, numa explosão de fúria Naldinho se levantou tão rápido quanto uma bala e atingiu em cheio com sua cabeça as partes do seu torturador. O jovem atingido caiu ao chão se retorcendo de dor, surpresos e ao mesmo tempo irados com a reação, os outros dois partiram para cima, encheram naldinho de socos e pontapés, e jogaram-no tonto dentro de uma das latas de lixo que estavam próximas. Ajudaram o comparsa a se recompor e saíram em disparada. Ficou ali dentro da lata de lixo não se sabe por quanto tempo, não estava mais tonto, talvez nem sentisse mais as dores pelo corpo, seu olhar estava vidrado no espaço vazio, muito introspectivo. Estava alheio aos olhares e comentários das pessoas que passavam e o viam naquela situação, estava alheio à tudo. Uma senhora idosa veio em seu auxílio.
- Menino de Deus, que fizeram com você? Coitadinho, eu vi tudo, aqueles monstros – a senhora estava bem de frente á ele, mas o jovem permaneceu em silêncio, o olhar perdido em qualquer direção no vazio. – Anda menino, acorda, saí daí, anda, eu te ajudo, vem.
A senhora puxava-lhe pelo braço com força, ele não respondia, ela insistiu e só aí ele despertou do transe.
- Hã?! Que? Há, é, vou sair sim, já tou saindo, brigado.
- Você ta bem menino? Eu vi, eles bateram muito em você não foi?
- Tou, tou sim – Respondeu tentando mostrar ânimo na voz. – Nem foi tanto assim, eu ia começar a tomar conta da situação quando eles correram.
- É verdade, eu vi eles correndo, você tava armado?
- Não, não, mas sei lutar bem – Uma mentirinha de nada é válida, quando esta vem para consolá-lo. – Escuta, por acaso sabe dizer se o ônibus da W3 NORTE já passou? Eu me distraí e não vi os ônibus que passavam.
- Há, sim, passou uns minutinhos antes deu vir aqui falar com você – A senhora dava umas palmadinhas em algumas partes da roupa de Naldinho, que estava sujo de poeira. – Mas, espere mais um pouco, que todo dia à essa hora passa um ônibus desses piratas que vai pra lá, e a passagem é a metade do preço.
- Metade? Sério?
-Sério, é um branco que está caindo aos pedaços, mas que agüenta chegar ao destino, pelo menos nunca ninguém reclamou. Olha lá ele vindo.
Um ônibus de um branco desbotado, realmente acabado, vinha se aproximando. Naldinho correu até o ponto e acenou e o ônibus parou. A porta se abriu, fez menção para entrar, voltou e procurou pela senhora para agradecer pela ajuda, mas ela não estava mais lá, foi embora antes. Subiu o primeiro degrau e estacou, aquele ônibus era muito estranho, um cheiro acre o deixou levemente tonto. Olhou para o motorista como que querendo mostrar sua estranheza. O motorista era um senhor idoso, barbudo, usava um óculos de aros redondos e lentes escuras, tinha um olhar terno, acalentador, exalava simpatia. Naldinho imaginou ele com um gorro e roupas vermelhas, seria um perfeito Papai Noel. O Motorista ficou olhando-o ali parado nos degraus de entrada e disse:
- Vamos, entre meu jovem. Ou por acaso pensa em ficar aí o dia inteiro?
- Foi mal, desculpa. Tou entrando.
Subiu os últimos dois degraus, a porta se fechou e o ônibus entrou em movimento. Desiquilibrou-se e segurou em uma barra para não cair. Olhou para o interior do veículo, teve uma enorme vontade de rir. Muito estranhos aqueles passageiros, como tudo o mais naquele ônibus. Estavam todos sentados da mesma forma, costas bem eretas, mãos nas coxas e olhar fixo para o piso. Era realmente algo cômico. Procurou por um lugar para se sentar, haviam três poltronas vazias, escolheu uma que ficava no fundo. Um senhor ocupava a poltrona do lado, que dava para a janela e, como todos os outros, estava sentado com as costas eretas, mãos nas coxas, olhar para baixo. Ao sentar-se, achou de boa educação ficar na mesma posição que todos os outros.
As quadras iam passando e o ônibus não parava para pegar passageiros. O cheiro ruim desaparecera, talvez tivesse habituado o seu olfato. Não estranhou quando o Veículo entrou em uma estrada vicinal, ele era pirata, devia ser uma forma de burlar a fiscalização. A estrada estava completamente deserta, ao longe se avistava os prédios e a fumaça da cidade. Um tremor forte balançou violentamente o ônibus, pensou que tivesse furado ou pneu, ou atropelado algum animal, quando tudo ficou escuro. Um homem que fumava á beira da estrada sob uma árvore, sentiu um forte tremor, viu um buraco enorme se abrir no chão e um ônibus entrar por ele.
- Minha Nossa Senhora! Dequinho não tava de brincadeira quando disse que essa era da boa.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O sedutor. Trecho 2/2.

Com a experiência prática e conhecimento teórico do comportamento humano adquiridos em anos, eu pude montar certos conceitos, programas de ação muito efetivos, ou melhor, infalíveis, a que mais me apetecia por sua eficiência é a receita de bolo da sedução: Pegue sua atitude, sua confiança e desenvoltura, salpique tensão sexual e jogue tudo no seu alvo, para finalizar, cubra com conforto. Tcharam! Depois é só saborear. Eu voltei, escutei-a e elucidei a questão da titica, dizendo que não era algo físico, que era algo simbólico, para minha decepção ela tinha mesmo titica na cabeça e não compreendeu minha metáfora, devia ser mesmo muito burra, felizmente sua bunda e o pacote externo em geral compensava o investimento. Salientei em alfinetadas brandas no decorrer de nosso colóquio, a sua deficiência intelectual . O objetivo era fazê-la, instintivamente, se valorizar para mim, buscar minha aprovação. Para força-la a focar mais nesse objetivo, dirigi toda minha atenção às outras duas garotas. Ambas eram morenas, o meu alvo contrastava em seu loiro exuberante. Com uma leve alfinetada dirigida à loira eu as conquistei:
- Ei! Vocês duas que tão aí caladinhas, com certeza estão recebendo algo para andar com ela, eu só andaria com alguém que tem titica na cabeça se eu estivesse recebendo por isso.
Elas riram como era de se esperar, gostaram da piada que desvalorizava a amiga. Com uma leitura fria feita bem superficialmente eu pude apurar informações mais que suficientes para atrair a simpatia delas e despertar a competição que estava latente naquele trio. O padrão era simples, eu me encontrava com um trio de adversárias sociais, amicíssimas e adversárias. As duas morenas invejavam a beleza e o excesso de cantadas que a loira recebia com mais frequência que elas. Elas estavam gostando da rotina estar sendo alterada, delas serem o centro das atenções e da loira está sendo rebaixada à antiga posição social delas. Mas ainda à espelhavam, a seguiam inconscientemente, quando a loira mexia nos cabelos, as outras duas repetiam movimento, por instinto, quando a loira movimentava um dos pés, elas naturalmente repetiam esse movimento, um movimento do braço, uma careta, cheguei a imaginar que a frequência de piscadelas deviam ser as mesmas. Sinais claros de muita confiança e ligação entre elas. Apesar da competição interna. À essa altura do meu jogo, as três brigavam pela minha atenção.
- Nossa! Você não existe, me diz seu nome, por favor?!
Até o momento eu não havia dito o meu nome, disse qual era, não precisei perguntar o delas, me falaram todas ao mesmo tempo, Ainda hoje quando me recordo desse episódio não consigo relacionar os nomes às pessoas. Para aumentar a confiança delas em mim, comecei também a espelha-las, repetia discretamente movimentos simples e naturais delas, especialmente do meu alvo. Batendo no chão, com um dos pés, eu acompanhava a frequência das batidas dos dedos que a loira dava em sua coxa. Direcionei a conversa para assuntos que me interessavam, que poderiam me ajudar. Falamos de objetivos futuros, de relações antigas, de festas inesquecíveis, de aventuras sexuais e até supostos fetiches e fantasias que nós poderíamos ter. Em momentos oportunos, enquanto uma ou outra contava uma estória da vida delas, dentro desses temas que eu falei, eu as tocava em pontos estratégicos. Em determinado ponto tocado eu poderia tocar novamente posteriormente e despertar pensamentos e sensações diversas. Como fazê-las pensar no futuro e eu estar ali nesse futuro com elas, ou despertar parte da euforia que elas sentiram no magnífico Carnaval baiano e sentirem a necessidade de compartilhar essa emoção comigo, ou até sensações e pensamentos sexuais perversos. O meu jogo estava no fim, eu poderia isolar e ficar com qualquer uma das três, tamanha a confiança e atração que estavam sentindo por mim. Mas não faria isso, talvez assustasse o Rui, faria o que foi combinado, elas pediriam meu contato. De forma inesperada eu me despedi, alegando que me atrasaria para um compromisso, elas ficaram desapontadas, não queriam que eu fosse embora.
- Lúcio! Peraí moh – Eu não cheguei a me afastar muito, era a loira quem me chamava, correu em minha direção e tirou um aparelho celular do bolso. - Me dá seu número, é que eu vou embora amanhã.
Fiquei extasiado intimamente, obtive sucesso total, e ainda recebi um convite para comê-la implícito no : “ É que eu vou embora amanhã”. Dei o meu número, um beijo no rosto e comecei a caminhar novamente para ir embora, dessa vez de verdade.
- Lúcio, calma aí, deixa eu tirar uma foto com você? Pra por no orkut!
Ela enlaçou meu pescoço, encostou seu rosto no meu, com o celular acima de nossas faces ela capturou nossa imagem, ainda comentei que cobraria uma taxa pela divulgação da minha foto. Comecei a me desvencilhar, imaginei que ela fosse tirar outra foto quando não abaixou o braço, para acompanhar meu movimento de separação, apertou com mais força, com as costas das mãos que segurava o celular, ela virou meu rosto e me beijou na boca, surpreso, não nego, eu correspondi. O beijo foi longo, quente, se não estivessemos em praça pública ela tentaria me violentar. O Rui deveria está arrancando os cabelos nesse momento. Após terminamos ela ainda comentou:
- Eu vou te ligar, sem falta! – Não respondi, meu pensamento estava longe, fui me encontrar com o Rui.

sábado, 19 de junho de 2010

O sedutor. Trecho 1/2.

- Você trouxe o gravador?
Perguntei ao rapaz que acabara de chegar de mocicleta. Seu nome, Rui, o Rui tivera somente uma namorada em 25 anos de uma vida infeliz, sem amor próprio, sem respeito próprio, uma vida sem sentido. O rapaz não sabia sequer o que era sexo, é capaz de ter levado mais chifres da primeira e única namorada do que a quantidade de vezes que pensou em apertar a bunda dela. Não era feio, teria tido sucesso com as mulheres se tivesse agido de forma diferente durante sua vida, talvez se não fosse tão inseguro.
- Trouxe sim – Ele me respondeu quase gaguejando, hesitante, me olhava e eu sentia que em sua imaginação ele me via como a própria personificação de Dionísio, senhor dos bacanais na mitologia grega, esse Dionísio era dos meus. – Mas... mas, não entendo ainda pra que você quer um gravador.
- Você vai entender irmão, tenha calma - Olhava-o e sentia que visualizava uma foto mal tirada, toda tremida, reflexo de seu nervosismo talvez. – Vê aquelas garotas ali naquele banco? Olha disfarçadamente, não aponta o dedo seu individúo, são as que estão debaixo da árvore.
- Vi, vi sim... não, quer dizer, tou vendo, aquelas três no banco verde não é?
Rui me procurara há quase dois meses, me abordou enquanto eu vegetava no gramado da praça, ele provavelmente escolheu me abordar quando a praça estivesse deserta, erámos só nós dois, conhecendo-o melhor, eu pude calcular o quanto épico foi a sua tentativa de abordagem. Ele estava nervoso, pensei logo que seria assaltado, olhos fundos e com olheiras, muito magro, abatido, deduzi de antemão que fosse um viciado em crack. Me enganei, não fui assaltado e ele não era viciado em crack, era só um acabado emocionalmente. Me chamou pelo nome em um tom receoso: “ Lúcio...” Olhei-o surpreso, disse que tinha uma proposta para me fazer, fiquei curioso. Convidei-o a irmos em uma lanchonete próxima, estimulei-o a se abrir, acho que estimulei demais, foram mais de três horas de lamentações, escutei com real interesse. Soube o quanto a vida dele era uma desgraça, soube que ainda amava a namorada que engravidara de outro enquanto ainda namoravam. Ele falou sobre tudo que podia ser falado, mas nada sobre a proposta. Foi preciso mais 1h para confortá-lo, e assim ele falou: “ Eu quero que me torne pelo menos a metade do homem que você é”. Me explicou que vinha me observando há algum tempo, disse que venerava o meu estilo de vida, observou que eu interagia todos os dias com alguma garota diferente, tava sempre acompanhado, Disse que eu devia seguir algum padrão pré definido, e que era nesse padrão que ele queria ser treinado. Deduziu isso após presenciar diversas abordagens que fiz com mulheres que eu não conhecia, nas ruas, e como sempre me via ficando e provavelmente indo para cama com elas após no máximo dois dias. Fiquei desconfiado, e sinceramente amendrontado, Rui havia me seguido, observado e analisado minhas atitudes, sabia de cada passo meu, ele devia ser algum tipo de psicopata, mas não, psicopata nenhum fica acabado emocionalmente, isso me aliviou. Ele era só um desesperado, me condoí com todo o seu relato e aceitei o encargo.
- Então irmão, você já dominou o básico de toda teoria necessária para partir para a prática.
- Hoje? Com aquelas garotas? – O medo era evidente em seu rosto, em sua voz, já estava afeiçoado ao Rui, e isso me deixava profundamente triste.
- Sim, hoje! Mas quem vai nelas sou eu, você vai depois em outras, tenha calma, já disse, não se abale e segura a merda dessa ansiedade – Falei com firmeza, queria que ele se preparasse para a parte mais dura de sua formação. – Use algumas daquelas técnicas de PNL para relaxar.
- Tá, tá bom.
- Vou lhe dizer agora para que o gravador – Olhava-o nos olhos, sentia sua ansiedade como a exalar pelos poros, se eu pudesse transferir coragem somente olhando nos olhos dele seria ótimo, puta merda! Ando viajando muito, os personagens da Queda de Atlântida de Marion Zimmer afetaram a minha lucidez. – Aquelas garotas, não as conheço, vou abordá-las, e fazer com que elas peguem o meu contato, elas vão me pedir por isso. Vou levar o gravador comigo, ligarei e agirei. Você ficará naquele banco com essa câmera e filmará toda a ação, entendeu o que eu te falei? O por que de tudo isso?
- Não sei, acho que tou, não se importe com a minha burrice, mas repete para eu entender melhor – O rui tinha disso, ele não era burro coisa nenhuma, mas gostava de fazer eu repetir as coisas, talvez para ter certeza do que escutou, ou esperando que eu fosse mais específico.
- É simples Rui, Com a câmera você filmará tudo o que eu fizer, com o gravador eu gravarei tudo o que eu falar, depois sentaremos e discutiremos tudo o que foi filmado e gravado, depois eu escolherei um grupo qualquer para você abrir e conseguir algum contato, não vai ser preciso deixar que elas peçam, você pode pedir, e depois iremos nós dois juntos, ora eu vou te apoiar, ora você vai me apoiar.
- Tem algo que não tou entendendo...
- Hã?! Já ta forçando, não posso ser mais claro que isso.
- Não, desculpa, eu não tinha entendido ainda, agora entendi.
- Entendeu? Entendeu mesmo? Vou tentar ser mais claro. Com o áudio você poderá analisar qual tom de voz eu usarei, o que eu usei para abordar, a reação delas, a respostas delas, enfim, toda o desenrolar do jogo. Com o vídeo você poderá analisar minha linguagem corporal e a delas, postura, expressão facial, gesticulação das mãos, movimentos leves com a cabeça e com o corpo. Cada reação delas será um sinal que indicará qual o próximo passo, veremos isso mais tarde, agora vou lá que elas podem ir embora.
Rui me pagava bem, no começo eu cobrava mesmo, me aproveitava da situação, depois, com o passar das semanas e com o aumento de nossa intimidade, eu não cobrei mais, ensinava por prazer. Mas mesmo assim, sempre que tirava um extrato o dinheiro tava lá na minha conta. Pedi para ele parar de fazer isso, Rui replicou: “ Não, não. Te pagando o teu estímulo para me treinar será maior, e o meu de aprender maior ainda, por que eu não tou doido a ponto de jogar dinheiro fora”. Não fiz objeção, o argumento era irrefutável, e mostrava que ele estava mesmo aprendendo, estimular pontos essenciais deixam o alvo da sedução mais vulnerável. Nos encontramos muito nessas últimas 8 semanas, passei tudo o que podia e que era de fácil compreensão na teoria, para iniciar a parte prática, com o tempo ele se aprofundaria mais nos mistérios das artes venusianas. Eu iria abordar e criar atração suficiente para elas pedirem o meu contato. Fiquei indeciso por uns instantes sobre qual forma agir, podia agir de forma direta, mas isso não seria bom ao Rui, é mais complicado, exige mais controle emocional, podia agir de forma indireta, isso era confuso, a tempos que não usava um estilo determinado, a forma natural, ou jogo natural me dominou, e optei por agir assim, depois eu explicaria tudo o que eu fiz passo a passo a ele. A abordagem não é algo complicado quando não se tem vergonha na cara, isso adianta um bom pedaço para a sedução. Olhei ao redor da praça, ao meu redor, ao redor das garotas, procurava uma frase de abertura situacional, nada padronizado, seria natural. Como um relâmpago uma idéia me acometeu, elas estavam sob uma árvore grande, lá no alto da copa dessa árvore muitos passáros cantavam. Passei lentamente por elas, sou atraente, bem apanhado, elas me notaram, mantive contato visual para criar uma tensão nelas, depois eu confortaria com o correr do jogo. Foquei na mais bonita delas, frisei a testa como que estranhando algo, me detive alguns metros após os banco e voltei.
- Ou guria, não te conheço não, mas como sou um cara solidário vou te livrar de pagar um mico dos bons, é que tem titica de passarinho na sua cabeça, vai ficar uma meleca só se não limpar.
Sorri amigavelmente para as outras duas, me despedi com um aceno e sai. Sabia que ela mexeria nos cabelos á procura da titica, pediria ajuda ás amigas, constataria que não tinha nada, ficaria irritada, confusa, interessada em saber por que disse aquilo, muitos sentimentos conflitantes. Bingo!
- Ei! Ei, você moço, peraí – Ela estava em pé acenando feito louca com os braços e me chamando. Voltei atrás, a abertura provocou a reação que eu queria, ela que buscou pelo contato, a atração está em sua fase inicial e partiu dela como eu queria.
Posto a outra parte nos próximos dias...

domingo, 6 de junho de 2010

Thaís na universidade

Um homem de pele clara, trajando uma bermuda escura, mirava o horizonte em pé sobre uns rochedos á beira-mar, tocava uma melodia qualquer em uma gaita de boca. O mar estava calmo, uma brisa leve soprava, o sol no poente tornava a superfície da águas em um alaranjado radiante, como se milhares de peixes dourados estivessem nadando e brincando alegremente. Qualquer cristão acreditaria, se lhe afirmassem isso, que ali era o paraíso. Thaís caminhava nas areias da praia em direção aos rochedos, um som qualquer a atraía sobrenaturalmente naquela direção, ela estava muito longe, quanto mais avançava, mais distantes os rochedos ficavam. Ela prosseguia com determinação, o receio do que encontraria ali, lhe despertava um frio incômodo no estômago. Ela avançava e se distanciava, forçou os passos, o suor que escorria pela sua testa fazia seus cabelos ficarem pregados ao rosto, não adiantava, ela se distanciava mais e mais, iniciou uma leve corrida, sentia-se ofegante, fadigada, o corpo todo pedia para parar, o desespero tomava conta de seu espírito, a distância fazia-a avistar os rochedos como um ponto minúsculo ao longe, o som que lhe atraía estava sumindo... TÁ! TÁ! TÁ!
Assustada, respiração descompassada e muito suada Thaís se senta na cama. Há meses que o mesmo pesadelo a atormenta, terminando sempre com o som de três estouros. A terapia a que vem se submetendo não surte efeito, o sonho repetitivo sempre a remetia ao dia que presenciou um assalto e um brutal assassinado em uma agência dos correios.
“Preciso superar isso, preciso...”. Pensava com angústia. “As aulas começam em duas semanas, você precisa superar isso garota, sei que você vai superar. Você vai superar...”. E se entrega a um choro profuso, carregado de emoções contraditórias.

A universidade era enorme, podia ser bem maior que muitas pequenas cidades, possuía vários prédios espalhados num enorme território fertilizado de saber, corredores que somados poderiam ser usados para sediar uma corrida de maratona. O movimento intenso de estudantes, calouros e veteranos ampliava a percepção da dimensão do lugar. Thaís estava deslumbrada, nunca vira algo tão colossal, o colégio federal aonde estudava no interior era grande, era... Observava cada detalhe, tudo que era mini ou macro, tudo era sensacional aos seus olhos, as árvores, os bancos, as janelas, o corredores, uma flor solitária e o gramado aonde residia, as pessoas, as expressões, os traços peculiares, narizes grandes e pequenos, bocas de lábios finos ou lábios grossos, negros ou brancos, cabeludos e carecas, louros, ruivos, black power, cada mínimo detalhe era uma mega descoberta. Não que ela nunca tivesse visto pessoas ou coisas assim, mas a sensação da sua nova fase de vida deixava-a sensível á tudo. Parada ali no meio de um pátio qualquer ela podia facilmente distinguir os calouros dos veteranos, os calouros, como ela, estavam em sua maioria extasiados com tudo aquilo, os veteranos olhavam a tudo com indiferença, ou nem olhavam.
“Primeiro dia de aula. O que será que vamos aprender hoje? Será que a aula é interessante? E a sala? Como será ela, pequena ou grande? E os professores? Serão legais ou muito austeros? E os colegas de turma, como devem ser?”. Dúvidas, apreensão, ansiedade. Perguntas como essas, e outras sem nexo algum eram formadas na mente de Thaís. Passar no vestibular, no curso de direito de uma das universidades mais disputadas no Brasil não foi fácil, estudou muito, se manteve reclusa do mundo, se envolveu em um invólucro, ficou alheia ás festas, às paqueras, aos convites das amigas para saírem. O esforço não ia parar por aí, se dedicaria igualmente aos estudos na universidade, nada de distração, paqueras, baladas.
- Porra guria! Não olha por onde anda não caralho?! – A violência na reclamação de um rapaz despertou Thaís de seus devaneios. Ela esbarrou em dois jovens, um deles tinha em mãos um copo com alguma bebida, o choque do encontro o fez involuntariamente derramar parte da bebida sobre suas vestes.
- Me desculpa, sério mesmo, eu não tinha visto vocês – escusou-se Thaís tentando limpar com seu casaco a camisa suja do rapaz.
- Não, não me toca guria! Desculpa é o caralho, como não viu a gente? Você é cega? – Gritou o rapaz com mais violência ainda. – Toma o resto.
O rapaz jogou o que sobrou da bebida no rosto de Thaís, a discussão já tinha atraído a atenção de todos que passavam, o ato do rapaz fez aumentar o burburinho que já havia.
- Esses calouros são foda! – Disse o outro rapaz olhando com desprezo para Thaís. – Vamos embora, antes que apareça alguém.
Saíram com pose de altas autoridades no meio das pessoas que estavam assistindo á discussão, todos se afastavam abrindo caminho. Estes olhavam Thaís penalizados.
“Podia esperar de tudo, tudo! Menos isso. Nunca fui tão humilhada. Que ódio! Que ódio! Ódio daqueles escrotos, ódio dessas pessoas que estão me olhando, como elas vêem isso e não fazem nada, não se manifestam, será que eram tão burros ou insensíveis que não conseguiram ler a ofensa nas entrelinhas? "vamos embora antes que alguém apareça”. Bando de filhos da puta, não perceberam que foram ofendidos também? Podiam ter tomado as dores, dizer que eles eram alguém sim. Bando de cornos, viados, vagabundas, quero que todos vão á merda, á merda!” O desabafo íntimo não aliviou a tensão de Thaís, ela saiu correndo olhando para o chão, precisava encontrar um banheiro para chorar á vontade.

Estava anoitecendo, se aproximando das sete horas da noite. A hora do “ rush” noturno naquela capital. Muitos ônibus, carros, motos, pedestres e ciclitas, mistura de sons insuportável. Aquilo tudo atordoava Thaís, ela procurava pelo ponto de ônibus aonde descera pela manhã cedo. Não conseguia encontra-lo, o estresse lhe injetou uma forte dor de cabeça, tudo o que queria era ir para casa, tomar um banho, deitar e dormir, de preferência dormir para nunca mais acordar. Muitos carros estavam estacionados no acostamento, viu um homem parado à porta de um desses carros conversando com outro que estava ao volante, e foi direto a ele para perguntar aonde era o ponto mais próximo.
- Olá, boa noite! O senhor po... – Um choque de surpresa acometeu Thaís, o homem era o mesmo que lhe jogou uma bebida no rosto na universidade. – Desculpa, eu me enganei – Saiu sem olhar para trás desejando se jogar na frente de um daqueles ônibus.
Não caminhou muito, o ponto estava a 50m de onde ela parou para pedir informação, se amaldiçoou muito mais depois de perceber isso.
Do ponto, ela pode ver o rapaz dando a volta no carro e entrando pela porta direita, que ficava para o lado da via. Viu também uma moto amarela que se aproximava lentamente do carro vindo na contramão. Os rapazes não notaram a aproximação, não notaram o piloto sacando uma arma, é provável que nem tivessem notado quando que foram mortos. O piloto sacou a arma e disparou várias vezes contra os dois rapazes dentro do carro. Com muita tranqüilidade o piloto ainda olha para dentro do carro para se certificar que não havia nenhum movimento vital, põe a arma na cintura, engata a primeira e sai lentamente do local ainda na contramão. As pessoas que estavam no ponto de ônibus correram, algumas ainda ficaram e se jogaram no chão, tomados de assombro. A tranqüilidade com que o piloto andava na via pela contramão deixaram os circunstantes mais assustados, a impressão que dava é que ele iria alvejar os que ficaram deitados. Ele nada fez, olhou para Thaís, acenou com uma das mãos, acelerou e sumiu no meio dos carros.

domingo, 30 de maio de 2010

Ela fez com violência, ué!

-Vamos embora "véi"- Fagner impacientemente apressava seu amigo, que estava de frente ao espelho ajeitantado os cabelos. - Parece mulher pra se arrumar, nunca vi viu!
- Larga de indaga, ué! Tou terminando já - Elias não parecia estar com a mesma pressa que Fagner, por que ele penteava os cabelos, desarrumava em seguida para pentear novamente, mexia aqui e acolá, procurando dar aos cabelos arrepiados de gel a forma que lhe convinha, há vinte minutos que ele se dedicava à essa tarefa.
- Já tamo atrasado " véi"- Insistiu Fagner sem disfarçar a irritação. - As meninas já devem ta lá esperando a gente, a Paulinha vai ta lá seu broco!
- Quem liga! Deixem elas esperarem - Elias respondeu com indiferença ao alerta do amigo. - E se elas acharem ruim a gente arruma outras.
Fagner e Elias, Carne e unha, Água e óleo. São a representação humana mais perfeita que há do Yin-Yang. São inseparáveis, raros foram os dias que não se viram desde que se conheceram anos atrás. Fagner Tem 19 anos, é alto, magro, pele morena, cabelos longos, semblante agradável, muito calmo, um rapaz responsável e frequentador assíduo de uma igreja evangélica. Elias tem 20 anos, pouco mais baixo que Fagner, magro, pele clara, rosto bem desenhado e com um imutável ar de safadeza, agitado, irresponsável, frequentador assíduo de bares e cabarés. Fagner tenta fazer Elias andar linha, seguindo os preceitos de Cristo, Elias tenta Fazer Fagner curtir as coisas boas da vida, deixar de ser careta. O pensador mais privilegiado da natureza não conseguiria entender o porquê que seres tão distintos são tão amigos.
-Eu não quero outra, quero minha namorada! - A indignação dominava o peito de Fagner.
-Nossa! Você nem Beijou essa menina ainda, isso em dois meses de namoro. Sem contar o tempo que passaram rezando para saber se iam namorar ou não, logo, segundo a premissa de que uma relação só está de pé mesmo após umas duas ou três fodas, talvez quatro, você não estaria cometendo adultério e com isso não estaria pecando.
- Quem foi que criou tremenda merda de premissa? Você? Não vamos começar com isso, de jeito nenhum, sei que isso vai longe. Termina logo esse cabelo aí.
- Onde já se viu, casar virgem. Aposto minha coleção da PlayBoy que na primeira gozada sua mulher engrávida de quintúplos!
- Não fala mais besteira, meu ouvido não é penico.
- Puta merda! Você é meu amigo, não posso me calar diante de tamanha tortura. Eu sou um livro aberto Fá, quero que seja comigo do mesmo jeito, me fale, por favor, não me esconda isso, você nunca, mas nunca mesmo descabelou o palhaço? Uma vez só que seja?
- Não, não, não, não, não! Escuto mais nada. Tchau, Fui!
Elias se deleitava com a difícil tarefa de fazer Fagner sair do sério, rindo para o espelho ele continua sua produção estética. Não se abala com a saída do amigo, pois sabe que ele estará esperando por ele na porta do lado de fora. Com uma cara que popularmente é conhecida como " cara de bunda", Fagner murmura:
- Vamos.
Elias nada Responde, rir-se por dentro para poupar o amigo de mais palhaçadas suas. A festa a que vão, é a comemoração do aniversário da cidade, realizada em um espaço aberto no centro histórico. cantores locais irão se apresentar no palco, após o término das apresentações das bandas locais uma banda de renome nacional findará a festa. O local já está apinhado de pessoas, o que deixa Fagner irado, pois não será fácil encontrar sua namorada, e a infeliz amiga que fica vez ou outra com Elias no meio de tanta gente.
- Olha aí a merda que você fez, não vamos achar elas aqui no meio disso tudo nunca!
- Calma aí amigo - Com bastante calma Elias olha ao redor e prossegue. - Sua mina ta com a Paulinha não é?
- É sim.
- Então relaxe e observe, você terá o privilégio de conhecer mais um dos meus inúmeros talentos.
- Nossa! já vem mais merda aí.
- Acredite em mim Fá, posso sentir o cheiro de uma cachorra humana no cio a quilômetros de distância - Ao mesmo tempo que revelava a admirável habilidade Elias a põe em prática, começa a farejar o ar como um verdadeiro cão á procura de uma fêmea que esteja predisposta à ajudá-lo na perpetuação de sua espécie. - Estou sentindo no ar algo que me deixa muito confuso Fá, Tem várias cachorras no cio por aqui, vai ser difícil viu.
- Ou " véi", para, na boa, não aguento mais isso.
- Espera aí, prometo que não vou decepcioná-lo, estou sentindo algo diferente, esse cheiro de cachorra eu já senti! - Elias da seguimento á sua árdua busca pela cachorra no cio, segura no braço de Fagner e o puxa para uma direção qualquer. - Me segue, anda, me segue.
Elias vai levando Fagner por entre as pessoas, ainda farejando entra em um beco que os levava para outro beco que cortava transversalmente o beco que entraram inicialmente, chegam a uma praça, entram em uma movimentada rua que os leva de volta ao local de onde haviam saído minutos antes. Elias para abruptamente, faz um sinal com um dos braços e brada:
- Ali! ali está a cachorra.
A poucos metros deles estavam duas garotas que os observavam ansiosas. as duas eram bem parecidas, poderiam até ser irmãs. Tinham a pele clara, rostos e corpos bonitos, muito pouco as diferenciavam, uns traços quaisquer no rosto e os cabelos de uma delas que eram longos demais, que passava alguns centímentos da bunda. Elias é acometido de um ar sério que em ponto algum se adaptava bem a ele, avança na direção das duas garotas, Fagner o segue vindo logo atrás. O invejável farejador de cachorras começa novamente a farejar, agora com nariz bem próximo de uma das garotas, justamente a de cabelos longos.
- Ei! - Gritou Fagner. - O que você ta fazendo, ficou doido?
- Calma, tava só verificando se não cometi algum erro de cálculo - Explicou sarcasticamente Elias.
Após os cumprimentos formais, ois, boas noite, beijinhos no rosto paira um silêncio anormal entre os quatro, Claro, Elias é o primeiro a cortar o silêncio:
-Ei Paulinha, Vamos deixar os dois sozinhos, talvez sozinhos eles tenham coragem de experimentar que gosto a língua que cada um deles tem!
- É verdade, é verdade, vamos - Paulinha corroborou a idéia de Elias dando uma cutuvelada leve nas costelas da namorada do Fagner. - Laine, fica por aqui, se não a gente se perde de vocês.
- Ei Elias...
- Não, não fala nada Fá - Elias cortou-o tapando-lhe a boca e lhe segredando algo em seu ouvido. - Olha irmão, aproveita, mete a língua, se você não sabe beijar de língua me fala logo que a gente vai ali e eu te ensino, não vai ficar com raiva, é que vindo de você eu não dúvido de nada.
- Argh! ta doido, vai logo embora " véi".
Sem falarem mais palavras Paulinha e Elias saem, caminham por entre os prédios do centro histórico, procuravam por um lugar aonde pudessem ficar mais à vontade. tarefa complicada essa em dia de festa. Mas não para Elias que conhecia cada ruela daquela cidade.
- Aonde eu for você vai?
- Vou.
- Vamos descer pro rio, lá é bom.
- Pro rio? por que pro rio?
- Você não disse que ia aonde eu fosse? então vem sem reclamar, ué!
- Eu disse, só quero saber por que lá.
- Por que lá é bom, ninguém vai lá uma hora dessas, e é aqui pertinho da festa, qualquer coisa a gente volta.
- Ta bom, você trouxe camisinha?
- Não me faça perguntas idiotas!
- Você ta muito grosseiro, não era assim quando me conheceu.
- Desculpa, só que não gosto de ouvir perguntas idiotas. Eu trouxe sim, essa é boa, tem gel retardante nela.
- Eu não conheço essas coisas.
- Não precisa da uma de santa pra cima de mim Paulinha.
Seguiram nessa animada conversa enquanto Elias guiava o caminho. Adentraram um pequeno bairro ribeirinho, com algumas poucas casas á beira do rio, para a decepção de Elias lá estava cheio de homens e algumas mulheres fumando maconha. Voltaram pelo mesmo caminho, logo depois do bairro ribeirinho se formava uma pequena formação florestal, um mini-bosque. Elias segurou mais forte na mão da Paulinha e foram mato adentro.
- Eu não acredito que eu me rebaixo a tanto por um pra nada como você.
- Se quiser ir embora você já sabe o caminho.
- Desculpa, te ofendi amor?
- Você fala demais.
Elias a enlaçou pela cintura e lhe deu um voluptuoso beijo, Paulinha não vacilou em corresponder. O beijo era quente, a pegada era quente, mãos subiam, desciam, pescoços eram marcados por prazerosos chupões. Elias percorria cada trilha daquele corpo, lhe tirou a camisa para sentir-lhe o calor, o Sutien atrapalhava, retirou-o também, com muito prazer começou a beijar-lhes os seios, o que fazia Paulinha suspirar em inefável prazer. Paulinha não se fez de rogada e lhe tirou a camisa também, queria retribuir em dodro cada unidade de prazer que sentia. Ele achou os botões e zíper da calça dela, desabotoou, desceu o zíper, ela ajudou a descer o jeans até os joelhos. As mãos dela encontram seu membro rijo encarcerado na cueca, a pedir por mais carícias, ela se ajoelha, desabotoa a calça, desce o zíper do jeans deles, e com muito gosto abocanha-lhe.
- Nossa! por isso que eu te amo paulinha - Elias falou enquanto seu corpo vez ou outra se contraia pelo prazer que sentia.
- Cala essa boca - Paulinha pediu tirando temporariamente o Pênis da boca, e sugando em seguida após dizer o que precisava.
- Vai, vai, assim amor!
- Já disse pra calar a boca, senão eu paro e não faço mais nada.
- Ta bom, parei, vai continua, tou quase lá.
Paulinha prossegue na prática do sexo oral que parecia lhe dar igual prazer ao que Elias sentia. Os espamos foram ficando mais fortes, Elias segurava a cabeça de paulinha enquanto ajudava-a a executar o movimento cíclico de vai-e-vem. No ápice do prazer ele descarrega todo o seu conteúdo que gera a vida na garganta de Paulinha, que parece não se importar e prossegue a sugar-lhe.
- Ai! Senti um fisgadinha - ele exclama enquanto rir sem saber de que.
Paulinha engasga e começa a cuspir com força para todo o lado, não foi por ele ter gozado em sua boca, ela teria feito isso alguns segundos antes.
- É sangue, isso é sangue! - Gritou paulinha limpando a boca e mostrando a mão suja na direção da luz da lua.
- Meu Deus! sangue! o que você fez sua puta?! - Elias entrou em um tal estado de desespero que deixaria qualquer um chocado.
- Eu não fiz nada, por favor eu não fiz nada! - Choramingou Paulinha igualmente desesperada.
Elias corre por dentro da mata à procura da rua, na luz do poste ele pode ver sua cueca ensopada de sangue, horrorizado ele grita por socorro e corre em direção á festa segurando as calças. Paulinha está em seu encalço, parando a uma certa distância do movimento da festa ele se da conta de sua ridícula situação, entrar ali acabaria com a sua reputação, teria que ir embora da cidade, do estado, do país, talvez tivesse que ir pra Marte.
- Corre paulinha, chama o Fá, corre!
Paulinha não hesita, corre à toda e encontra Fagner e Laine exatamente aonde os deixaram, provavelmente trocaram alguns beijinhos nos rosto. Permuta menos nociva que á que Elias e Paulinha fizeram. Ela não explica o que houve de fato, só diz que houve um acidente e que Elias quer ve-lo agora. Fagner encontra Elias que chorando explica o que houve em poucas palavras:
- Fá, reza por mim, aquela puta me mutilou para sempre.
- O que ela fez?
- Olha minha cueca - mostrou abaixando as calças.
- Laine, Paulinha, procurem por um Táxi agora! Eu vou ficar com ele aqui até o Táxi chegar - Fagner ordenou com firmeza enquanto abraçava seu amigo que chorava profusamente. - Calma amigo, calma, vamos pro hospital já, já.
O Táxi não demorou a chegar, as duas meninas já estavam acomodadas, visivelmente assustadas e constrangidas. O carro arrancou, diante de tal emergência a policia entenderia o excesso de velocidade. Elias choramingava, Fagner estava calado, as duas meninas cochichavam entre si, o taxista não se aguentava de rir ao saber da natureza da emergência.
O Hospital regional estava lotado, no corredor da emergência muitas pessoas estavam sentadas em macas, no bancos, tomando soro ou só dormindo. O dia era de festa na cidade, tamanho movimento era natural. O Táxi parou diante da porta de entrada da emergência, duas enfermeiras vieram correndo e perguntaram qual era a emergência. Elias, com cara muito triste aponta para baixo.
- É aqui.
- Aqui aonde?
Elias deixa as calças cairem, as enfermeiras vêm a cueca ensopada de sangue, chama-o para acompanha-las. Levam-o à uma sala de sutura. As pessoas no corredor o olham curiosas por saber que emergência seria a dele. Na sala de sutura as duas enfermeiras pedem para ele sentar-se, que o médico já viria. O que se passou em seguida foi com certeza a experiência mais traumática que uma pessoa poderia passar. O médico analisa a situação, chama duas enfermeiras e pedem para elas abaixarem a cueca dele, Uma seringa de anestesia é preenchida com um olhar penalizado do Médico para o ferido, como quem diz: " Isso vai doer meu filho, vai doer muito". A agulha é enfiada exatamente na parte superior da glande, a dor que ele sentia vinha alternada, ela crescia após passar por cada camada do musculo esponjoso. os gritos de dor de Elias se misturaram às gargalhadas que ecoaram pelo corredor de Emergência, em pouco tempo o incidente particular de Elias era do conhecimento de todos funcionários e pacientes do grande Hospital regional. Foi uma suturação muito complicada, o paciente não ajudava, se contraia com frequência ao ver o médico levantando à agulha curva aonde estava a linha de sutura. Terminado todo o processo, as enfermeiras limparam os restante de sangue que sobrou sobre a virilha, que não era preciso ser limpo para a sutura, nesse momento devaneios perversos pairaram sobre a mente de Elias, ele se imaginou comendo aquelas duas enfermeiras que com tanto apreço cuidavam de seu Pênis. A saída foi mais penosa que a entrada, todos o olhavam e riam, riam muito e com gosto.
" O que eu posso fazer se ela fez com violência, ué!" Pensou consigo mesmo ao sair sem olhar para ninguém, o que ele mais queria era ir pra bem longe dali.